terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

WILD SOUNDSCAPES AND HUMAN DESTRUCTION



Every wild environment has it’s own biophony, i.e. the sounds of the living organisms.
In a healthy ecosystem, every creature occupies it’s own small part of the frequency spectrum. All the contributing voices are perfectly discriminated, like the instruments in an orchestra.
When, and mostly by human action, the ecosystem is stressed, this organization disappears and spectrograms will show less diversity and less density.

Bernie Krause talks about this in his wonderful book “The Great Animal Orchestra”, a reading that I, again, seriously recommend.

One of his examples is Lincoln Meadow, a forest in the western U.S. 
A company got permission to do some selective logging on one part of the forest. Selective means that they would only take out some trees leaving plenty of trees around to preserve the forest.

Bernie recorded the soundscape before and after the logging took place.

Before the Logging

After the Logging


The difference between the two spectrograms is terrifying.

On the post-logging biophony there are only sapsuckers, a type of wood-pecker, contrasting with the vibrating biophony found before.

At Vanua Levu, Fidji Islands, Bernie managed to record the biophony of a healthy part of a coral reef and a stressed and dying piece of the same reef.

Healthy Reef

Stressed Reef


The bottom parte of the spectrum is created by surface waves. The upper part of the spectrum was life. Gone for good.

A good example of how sound can be used to better understand our planet and how mankind is destroying it.

Ref: Bernie Krause “The Great Animal Orchestra”,pages 68-81




PAISAGENS SONORAS SELVAGENS E A DESTRUIÇÃO HUMANA




Qualquer ambiente selvagem tem a sua própria biofonia, i.e. o conjunto dos sons provocados pelos seres vivos.
Num ecosistema saudável, cada criatura ocupa a sua pequena parte do espectro sonoro. Todas as vozes contribuintes para a biofonia estão perfeitamente separadas, como os instrumentos de uma orquestra.
Quando, e sobretudo pela ação do homem, o ecosistema é perturbado, esta organização desaparece e os espectrogramas mostram menos diversidade e menos densidade.

Bernie Krause fala disto no seu maravilhoso livro  “The Great Animal Orchestra”, uma leitura que eu recomendo seriamente.

Um dos exemplos descritos é Lincoln Meadow, uma floresta perto da costa oeste dos Estados Unidos. Uma empresa teve autorização de fazer aquilo a que se chama corte de árvores selectivo na floresta. Selectivo significa que eles poderiam cortar apenas uma pequena parte das árvores deixando à sua volta bastantes árvores para preservar a floresta.

Bernie gravou esta paisagem sonora antes e depois do corte.

A diferença entre os dois espectrogramas é aterradora.

Antes do corte

Depois do corte


O espectrograma após a intervenção humana revela que, só ficou uma espécie de pica-pau, contrastando com a vibrante biofonia encontrada antes.

Em Vanua Levu, na Ilhas Fidji, Bernie conseguiu gravar a biofonia subaquática de uma parte saudável de um recife de coral e compará-la com outra parte, bastante doente.

Recife saudável

Recife doente


A parte de baixo é gerada pelas ondas à superfície. A parte de cima, que falta no espectro é a vida. Desaparecida para sempre.

Um bom exemplo de como o som pode ser usado para melhor compreendermos o nosso Planeta e de como a humanidade o está a destruir.

Ref: Bernie Krause “The Great Animal Orchestra”,pags 68-81




sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

THE SOUND OF ABERCROMBIE & FITCH




Some retail stores seem to have lost their minds in playing music which, they believe, will get them a fashionable look and more costumers. It doesn’t always work, as we previously discussed.

But Abercrombie & Fitch plays really loud music, and that has shown to be very successful.

Let’s look into this:

DMX is a sound design company, which was in charge of creating the perfect sound ambience for the stores.

LeanneFlask, from DMX explains the concept:

“Everything’s very dark inside. So they use music to make it lighter”. “It’s like a day in a club!”1



There’s the idea! Behind any bright concept there’s always a good idea. The branding tactic is focused on consumer experience, where everyone is having fun all the time. Like a party.

And it works! There are queues everyday to enter the store.

Abercrombie & Fitch uses loud music to deal with darkness and create a group experience of ecstasy.

“We want to be very aware of exactly how every sound will be heard and the levels they’re going to be played at”, Leanne says.2

This is a bright example of the right music to be played in the perfect environment. It was thoroughly studied and the music carefully chosen.

It doesn’t necessarily mean that any loud music in any clothing store will work. This is the biggest and most common mistake.




1 and 2 Ref: "In Pursuit of Silence" George Prochnik pages. 93 to 95

O SOM DA ABERCROMBIE & FITCH



Algumas lojas parecem ter perdido a cabeça quando tocam música ambiente que, acham eles, lhes dará um ar “na moda” e trará mais clientes. Nem sempre resulta, como já falámos.

Mas a Abercrombie & Fitch toca música muito alto, com muito sucesso.

Olhemos mais de perto:

DMX é uma empresa de sound-design, que foi encarregada de criar o ambiente sonoro perfeito para as lojas da A&F.

LeanneFlask, da DMX explica o conceito:

“É tudo muito escuro lá dentro. Por isso usamos música para tornar o ambiente mais claro”. “É como um dia na discoteca!”1



Aqui está a ideia, há sempre uma ideia por detrás de um bom conceito: A táctica de branding é criar experiências ao consumidor, onde toda a gente está, todo o tempo, a divertir-se. Como numa festa.

E funciona! Há grandes filas, todos os dias, para entrar na loja.

Abercrombie & Fitch uses loud music to deal with darkness and create a group experience of ecstasy.

“Nós queremos ter a exacta noção de como cada som será ouvido e a que níveis será tocado”, afirma Leanne.2

Isto é um brilhante exemplo de como a música ideal pode ser tocada no ambiente certo. Foi profundamente estudado e a música cuidadosamente escolhida.

Isto não quer dizer que qualquer música tocada alto em qualquer loja de roupa funcione. É este o maior e mais frequente erro.



1 e 2 Ref: "In Pursuit of Silence" George Prochnik pags. 93 a 95



domingo, 9 de fevereiro de 2014

POCKET PARKS IN NYC

Havens of silence inside a giant town


Paley Park NYC

Pocket Parks is a designation for very small leisure areas between the buildings of NYC.

 In 1897, Jacob Riis, a secretary of NYC Comitee on Small Parks decreed that “any unused corner, triangle or vacant lot kept out of the market by litigation or otherwise might serve this purpose as well”, which meant that all those small surfaces were to be used as “Pocket Parks”.

William Paley, former chairman of CBS, financed one the the most famous: Paley Park. It was conceived as a “resting place” in his own words.

Paley Park is beautiful! A waterfall  pouring from 20 feet high, produces enough white noise to mask all of the city traffic sound. It’s like a silent haven on the heart of the city.

Paley Park's waterfall


The walls are covered with ivy, a vertical lawn, as explained by Robert Zion, the designer of this absolutely charming place.

Greenacre Park is a bit larger with a even higher waterfall, still the principle is the same.

Greenacre Park NYC


There is seating provided on all pocket parks, individual, rather than benches, used in most parks. This is important and adds privacy and restfulness to the user.

In Europe, London and Amsterdam followed, in some way, this insightful example.

That’s a lovely example of intelligence and sensibility. In modern times they are an oasis to our busy lives. As we thrive for silence and peace.

Ref: "In Pursuit of Silence" George Prochnick, page 119/120




POCKET PARKS EM NOVA IORQUE

Portos de abrigo de silêncio numa cidade gigante


Paley Park Nova Iorque

Os Pocket Parks são pequenos parques distribuídos pela cidade de Nova Iorque em recantos ente prédios.

Em 1897, Jacob Riis, um secretário do Comité de Pequenos Parques de Nova Iorque decretou que “qualquer canto não usado, terreno triangular ou disponível fora do mercado, por disputa ou outra razão, poderá servir este objectivo”, o que quer dizer que todas estas pequenas superfícies poderão ser usadas como “Pocket Parks”.

William Paley, antigo presidente da CBS, financiou um dos mais famosos: Paley Park. Foi concebido como um “espaço de descanso” nas suas próprias palavras.
Um queda de água com mais de seis metros de altura produz ruído branco suficiente para mascarar todo o ruído de trânsito. É como um refúgio silencioso no coração da grande cidade.

A cascata de Paley Park


As paredes estão cobertas de hera, um relvado vertical, de acordo com o projecto de Robert Zion, tornando o local absolutamente encantador.

Greenacre Park é um pouco mais amplo e com uma queda de água maior, mas o princípio é o mesmo.

Greenacre Park Nova Iorque


Há cadeiras em todos os Pocket Parks, , individuais, ao contrário dos bancos existentes na maioria dos jardins. Isto é importante e aumenta a nossa sensação de privacidade e tranquilidade.

Na Europa, Londres e Amsterdão seguiram, de alguma forma, este exemplo inspirador.


Isto é um maravilhoso exemplo de inteligência e sensibilidade. Nos tempos modernos, são oásis para as nossas vidas. Enquanto lutamos pelo silêncio e paz.

Ref: "In Pursuit of Silence" George Prochnick, pag. 119/120

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

CAVES 

The correspondence between long reverb times and paleolithic drawings


In 1983, Iegor Reznikoff, a specialist in ancient music, made a very interesting discovery while visiting the paleolithic caves at Le Portel, France:
All the rooms with paintings on the walls corresponded to the spaces with the richest reverb effect.
He tried to understand if this would be a general characteristic of paleolithic caves and found out that all the most reverberant spaces had paintings on the wall. 

In 1992, Steven Waller, a member of the American Rock Art Research Association, presented the same theory at a congress in Australia. He went a little further: there is a correspondence between the type o animal depicted in the sites and the type of reverberation in the room.

In Lascaux, where big animals are painted, the echoes are incredibly loud, whereas in other sites with smaller reverbs felines decorate the walls.




This makes us think that, even in prehistoric times, men chose the best sounding rooms to meet and stay. And might have been inspired by sound to create drawings.


Ref: "Ocean of Sound", David Toop, page 3
Ref:  " The pursuit of Silence", George Prochnik, page 95


GRUTAS 

A correspondência entre longos tempos de reverberação e os desenhos paleolíticos


Em 1983, Iegor Reznikoff, um especialista em música antiga, fez uma descoberta interessantíssima, ao visitar as grutas em Le Portel, França:
Todas as salas com pinturas rupestres nas paredes, correspondiam aos espaços com melhor e mais longa reverberação.
Tentou então perceber se isto era uma característica geral das grutas do paleolítico e confirmou que era nos locais mais reverberantes que havia pinturas. 

Em 1992, Steven Waller, um cientista membro da American Rock Art Research Association, apresentou a mesma teoria num congresso na Austrália. Foi, até, mais longe: Existe uma correspondência entre o tipo de animal desenhado nos sítios e o tipo de reverberação da sala.

Em Lascaux, onde existem figuras de grandes animais, os ecos são incrivelmente altos, enquanto que noutros locais com menor reverberação, são felinos que aparecem.



Leva-nos a pensar que, mesmo nos tempos pré-históricos, os homens escolhiam os locais de encontro com base na beleza do som circundante. E poderá ter sido o som a inspirá-los a criar aquelas pinturas.


Ref: "Ocean of Sound", David Toop, pag. 3
Ref:  " The pursuit of Silence", George Prochnik, pag. 95